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Um .45 pra pagar o locação - charles bukowski
Admin em Aluguel, 26/05/2011 - 13:39:10,
Duke tinha essa filha, que se chamava Lala, de 4 anos.
Era a primogênita, logo dele, sempre tão avisado pra precaver filhos, com pânico de ser morto por um deles. Mas imediatamente sentinela desvairado de alegria, encantado com a menina, que adivinhava tudo o que ele pensava – tal a comunicação que havia entre ela e ele, entre ele e ela. Duke estava no supermercado com Lala, e os dois conversavam, dizendo uma objeto e outra. Falavam a consideração de tudo e ela lhe contava tudo o que sabia, e sabia muito, instintivamente, ao passada que Duke, se por um lado escasso sabia, por diferente fazia o que podia.
No fim dava certo. Sentiam-se felizes um com o outro. – O que é aquilo ali? – questão ela. – Um coco.
– O que que tem dentro? – Um troço branco pra se mastigar. – Por que que é por dentro? – entretanto todo esse troço branco que a povo mastiga se sente bem ali dentro, no interior da casca. E diz, consigo mesmo, “puxa, que apetitoso que tá isto aqui!”. – Por que que é gostoso? – entretanto sim.
Qualquer um acharia. Eu, por exemplo. – Não acharia, não. Não ia poder encabeçar o teu carro ali dentro, nem poder me enxergar.
Ou comer presunto com ovo. – Presunto com ovo não é tudo o que existe. – O que que é tudo que existe, então? – Sei lá. Pode ser que seja o cérebro do sol, refinado gelo.
– O cérebro do SOL...? refinado GELO? – É. – Como seria o cérebro do sol, se fosse refinado gelo? – Ué, todo mundo pensa que o sol é aquela bola de fogo. E tenho impressão que nenhum cientista vai consentir comigo, mas eu acho que seria assim, ó. Duke pega um abacate.
– Oba! – Tá vendo, um acabate é isto aqui: sol gelado. A povo come o sol e após sai andando por aí, com uma sensação gostosa. – O sol tá em toda aquela cerveja que tu bebe? – Tá, sim. – incluso de mim também? – Mais do que em qualquer indivíduo que conheço.
– entretanto eu acho que tu tem um SOL DESTE dimensão incluso de ti! – Obrigado, meu bem. Caminham mais um escasso e terminam as compras. Duke não escolhe nada. Lala enche o carrinho com tudo o que quer.
Muita objeto não é de comer: balões, lápis crayon, um revólver de brinquedo, um espaçonauta com pára-quedas que abre nas costas quando se afita o boneco pro ar. Espaçonauta do cacete. Lala não gosta da mulher que está no caixa. Fecha a maior carranca pra ela.
Coitada: a fisionomia parece escavada, vazia – é um show de horror e não sabe. – Oi, queridinha! – diz a caixa. Lala não responde. Duke não sopra nada pra ela dizer.
Pagam as compras e vão pro carro. – Eles ficam com o dinheiro da povo – comenta Lala. – Ficam. – E aí tu tem que trabalhar de noite pra receber mais dinheiro.
Eu não simpatia quando você sai. Quero brincar de mamãe. Eu sou a mãe e tu é o filhinho. – Tá, então vamos começar.
Eu sou o filhinho. Que tal, mamãe? – Tá legal, filhinho. Sabe encabeçar o carro? – Posso tentar. Aí já estão incluso do automóvel, rodando.
Um filho-da-puta qualquer pisa no acelerador e por escasso não bate no carro deles quando dobram à esquerda. – Filhinho, por que que todo mundo quer dar batida na gente? – Ué, mamãe, é entretanto são uns infelizes e todo mundo que se sente triste sai por aí machucando o que vem pela frente. – Não tem ninguém que seja feliz? – Muita povo finge que é. – Por quê, hein? – entretanto sentem vexame e pânico e não têm valentia de confessar.
– Tu sente medo? – Só tenho valentia de declarar pra você – cintilante tão assustado, mamãe, que às vezes até parece que vou morrer de uma hora pra outra. – Ô filhinho, não quer a mamadeira? – Quero sim, mamãe, mas vamos aarmazenar pra aparecer em casa. Continuam rodando, dobram à direita na Normandie. Fica mais difícil pra baterem na povo quando se dobra à direita.
– Filhinho, tu vai trabalhar hoje de noite? – Vou. – Por que que tu trabalha de noite? – É mais escuro. As pessoas não vêem. – Por que que tu não quer que as pessoas vejam? – entretanto posso ser preso e ir pra cadeia.
– Cadeia? O que é isso? – É tudo o que existe. – Tudo MENOS EU! Param o carro e levam as compras pra dentro. – Mãeeê! – labareda Lala –, trouxemos as compras! Sol gelado, espaçonautas, tudo! A mãe (cujo nome é “Mag”) responde: – Que bom. Depois, pra Duke: – Porra, preferia que você não tivesse que partir hoje de noite.
Tô com mau pressentimento. Não vai, Duke. – Você tá com mau pressentimento? E eu então, meu bem? Todas as vezes. Já faz parte da coisa.
Tamos lascados. A garota jogou tudo o que pôde naquele carrinho, desde presunto enlatado até caviar. – Ué, e você deixou, porra? – Não simpatia de contraditar a menina. – Quando for em cana vai ter que gostar.
– Olha, Mag, nesta profissão o fisionomia sempre acaba passando um escasso de tempo no xadrez. Não adianta aquecer a cabeça com isso. O negócio é deste modo mesmo. Já cumpri pena.
Tive mais ventura que muita povo por aí. – Por que não pesquisa um serviço decente? – Filhinha, trabalhar numa prelo de perfuração esfola qualquer um. E não existe nenhum serviço decente. De um maneira ou ddiferente se acaba morrendo.
Já estou enviado na vida – sou uma espécie de dentista, digamos, que arranca os dentes da sociedade. É a única objeto que eu sei fazer. imediatamente é tarde demais. E você sabe como todo mundo trata o fisionomia que sai da prisão.
Sabe o que fazem com a gente, já te contei, já... – Eu sei que tu já contou, mas... – Mas, mas, mass, massss! – atalha Duke –, puta que pariu, deixa eu terminar! – Então termina. – Esses industriais sacanas e exploradores que moram em Beverly Hills e Malibu.
São especialistas em “reabilitar” presidiários, ou povo que saiu da cadeia. próximo deles, esse papo de liberdade condicional de merda até cheira bem. Que nem rosa. Mas é pura tapeação.
serviço de escravo. O particular gerente de armazenar os que ganham liberdade condicional sabe disso, pensa que não sabe? Como nós todos sabemos. Poupam despesa pro governo, contribuem pra enricar diferente gajo qualquer. Onda.
Pura onda. De tudo quanto é lado. Fazem a povo trabalhar três vezes mais que o homem comum, enquanto cometem verdadeiros assaltos contrário a população, sempre incluso da lei – vendem qualquer porcaria por dez ou vinte vezes mais que o valor verdadeiro. Mas é incluso da lei, da lei que eles fizeram.
– Puta merda, quantas vezes já não ouvi essa ladainha... – E puta merda, vai ouvir OUTRA VEZ! Pensa que não enxergo nem sinto nada? Acha que devo contimiar de bico calado? Até com minha própria mulher? Você casou comigo, não foi? A povo não fode? Não vive junto, não? – Você é que fode com tudo! imediatamente taí chorando. – Vai à MERDA! Cometi um engano, um engano técnico! Era moço; não entendi as regras desses cagões... – E imediatamente tá querendo justicontimiar a tua burrice! – Ei, essa foi ótima! GOSTEI.
Minha mulherzinha. Sua babaca. Babaca. Tu não passa de uma xota nos degraus da residência Branca, bem aberta, e de cuca fundida...
– A criança tá ouvindo, Duke. – Ótimo. E vou continuar. Sua babaca.
REABILITAR. É a verbo que usam esses sacanas de Beverly Hills metidos a besta. São tão decentes e HUMANOS, porra. As mulheres deles ficam escutando Mahler lá no Music Center e fazendo doações de caridade, que podem descontar no taxa de renda.
E são eleitas as dez melhores do ano pelame L. A. Times. E sabe o que os maridos fazem? Ficam xingando a gente, como se fosse cachorro, lá naquela fábrica de vigarice que eles têm.
Cortam o salário, embolsam a diferença e nem adianta reivindicar entretanto não vai antecipar mesmo. Tudo é uma tal merda, será que ninguém percebe? Será que ninguém VÊ? – Eu... – CALA ESSA BOCA! Mahler, Beethoven, STRAVINSKY! Obrigam a povo a executar serão de graça. E espinafram o tempo todo, cacete.
E é só pronunciar UMA palavra, e já estão telefonando pro fiscalizador da liberdade condicional: “Desculpa, Jensen, mas devo lhe contar: o teu fisionomia roubou 25 dólares do caixa. Logo agora, que estávamos começando a amar dele.” – Então que espécie de justiça você quer? Puxa, Duke, já nem sei o que fazer. Você fica aí, falando ato matraca, sem parar. Fica de porre e vem me pronunciar que Dillinger foi o maior sumaneira que viveu até hoje.
Se sacode todo na cadeira de balanço, pra lá e pra cá, completamente bêbado, e berra “Dillinger!” eu também estou viva. ouça... – Dillinger que se foda! já morreu. justiça? na América não existe.
só tem uma. questão pros Kennedys, questão pros mortos, questão pra quem você quiser! Duke salta da cadeira de balanço, vai ao armário, remexe empequeno da caixa de enfeites do pinheirinho de Natal e pega o trabuco. um .45. – isto aqui, óh.
isto aqui. é a única justiça que existe na América. é a única objeto que todo mundo entende. sacode aquela porra pra cima e pra baixo.
Lala brinca com o espaçonauta. O pára-quedas não abre direito. Que dúvida: uma tapeação. diferente blefe.
Que nem a gaivota de olho parado. Ou a caneta esferográfica. Ou Cristo clamando pelame Pai, com a ligação interrompida. – Escuta – pede Mag –, guarda essa arma maluca de uma vez.
Eu vou procurar emprego. Me deixa ir. – VOCÊ, procurando emprego?! Há quanto tempo vem repetindo isso? Você só presta pra foder, a troco de nada, e pra contimiar aí sentada pelos cantos, lendo revista e enchendo a boca de bombom. – Ah meu Deus, a troco de nada, não – eu AMO você, Duke, verbo de honra.
De subitamente ele cansa. – Tá legal, ótimo. Então pelame menos vai armazenar as compras. Duke põe o trabuco de novo no armário.
Senta e acende um cigarro. – E cozinha alguma objeto pra mim anteriormente de eu partir por aí. – Duke – questão Lala –, tu quer que eu te chame de Duke ou de papai? – como quiser, queridinha. você é quem manda.
– por que que tem cabelo na crosta do coco? – ah, que merda, sei lá. por que que tenho pentelho nos bagos? Mag vem da cozinha com uma lata de ervilha na mão. – Não admito que fale deste modo com minha filha. – tua filha? tá vendo aquela boca carnuda? igualzinha à minha.
tá vendo os olhos? os intestinos? que nem os meus, sem arrancar nem botar. tua filha – só entretanto saiu dessa rachadura e mamou nas tuas tetas. não é filha de ninguém. só dela mesma.
– eu insisto – diz Mag – que você não devia pronunciar desse maneira próximo da criança! – você insiste... você insiste... – é isso mesmo! – afirma, com a lata de ervilha no ar, equilibrada na triunfo da mão esquerda. – insisto, sim.
– se você não arrancar essa lata de ervilha da minha frente, eu juro, palavra, eu juro, por senhor ou sem Deus, QUE ENFIOISSO AÍ NO TEU RABO, DAQUI ATÉ A LUA! Mag retorno pra cozinha com a lata. e não reaparece. Duke vai ao armário procurar o casaco e o trabuco. Se despede da menina com um beijo.
ela tem mais magia que epiderme bronzeada no inverno e meia dúzia de cavalos brancos correndo por colinas cobertas de grama. são as comparações que lhe ocorrem; começa a se emocionar. dá o fora apressado. mas fecha a porta devagar.
Mag sai da cozinha. – Duke já foi – avisa a criança. – é, eu sei. – tô ficando com sono, mamãe.
lê uma história pra mim. as duas sentam no sofá. – mãe, o Duke vai voltar? – é, o filho-da-puta vai voltar, sim. – o que que é filho-da-puta? – o que o Duke é.
eu amo ele. – tu ama um filho-da-puta? – sim – ri Mag. – amo, sim. vem cá, belezinha.
aqui no meu colo. abraça a criança com força. – oh, você tá tão quentinha, tá que é um presuntinho, uma rosquinha que acaba de partir do forno! – não sou NENHUM presuntinho ou ROSQUINHA, tá ouvindo? VOCÊ É QUE É! – hoje é noite de lua cheia. tá muito claro, demais.
Fico com medo, morrendo de medo. ah meu deus, eu amo esse cara, ah senhor do céu... Mag pega uma caixa de papelão e fita um livro pra criança dali de dentro. – mamãe, por que que tem cabelo na crosta do coco? – cabelo na crosta do coco? – é.
– espera, eu tava fazendo café. tô ouvindo daqui o estrondo da água. já deve ficar fervendo. tenho que ir lá pra delir o gás.
– tá. Mag vai à cozinha e Lala fica esperando no sofá. enquanto Duke, suspenso na frontal de uma loja de bebidas na esquina do Hollywood Bvd. com a Normandie, se pergunta: mas pra quê, pra quê, porra? aquilo não tá com boa cara, não tá cheirando bem.
Pode ser até um sacana, nos fundos, de pistola na mão, espiando por qualquer buraco. foi deste modo que pegaram o Louie. Estouraram com ele, ato pato de lama em disparo ao pontaria de parque de diversões. homicídio lícito.
o mundo pleno sacana se safa, boiando na merda do homicídio legal por lei. o localidade não inspira confiança. quem sabe um barzinho pequeno? um inferninho de bicha. qualquer objeto fácil.
Com dinheiro satisfatório pra um mês de aluguel. tô perdendo os culhões, pensa Duke. é só possibilitar e não espera sou eu que vou caminhar assentado por aí, a ouvir Shostakovitch. torna a adentrar no Ford negro 61.
e começa a girar para a paragem norte. 3 quarteirões. 4. 6.
12 quarteirões, rota àquele mundo gélido. enquanto Mag, sentada com a criança no colo, se põe a ler um livro, A VIDA NA FLORESTA... – a doninha e outros animais da mesma família, o visão, a marta, a chinchila, são seres ágeis, velozes, selvagens. Roedores carnívoros, vivem em contínua e sanguinária competição pela...
de subitamente a criança pega no sono e a lua cheia aparece no céu. ___________________________________________ Há uns dias, eu postei o conto "Suástica", imediatamente estou colocando mais esse de Charles Bukowski, referente ao "Fabulário geral do delírio cotidiano", que é a parte 2 de "Ereções, ejaculações e exibicionismos". O "Suástica" foi isolado da parte 1, nesse post aqui. A parte 2 também foi lançada no Brasil pela L&PM Pocket.
E o que dizar desse conto? É um murro na cara! Aqui, Bukowski analisa friamente o cotidiano de um atacante e o mundo que o cerca, lembrando ao leitor de que se trata de um homem destemido e que enfrenta problemas emocionais, familiares e principalmente financeiros, deste modo como as pessoas "normais", fazendo com que vejam o diferente lado da moeda, as razões que levam o réu a praticar delítos. O curioso é a retrato da garota de 4 anos, filha do assaltante, cuja presença humaniza o criminoso, fazendo com que o leitor, de certa forma, se afeiçoe a ele. Também é clara a crítica à elite dominante americana, que, segundo o personagem principal, enriquece às custas do serviço alheio. Eu já havia lido toda a parte 1, peguei a parte 2 esperando um bom conto e dou de fisionomia com esse (esse conto é o primeiro do livro), muito melhor do que eu esperava...
meu Deus! Fantástico! Meu conto preferido mesmo, da parte 2, é "O hospício logo à leste de Hollywood" (eu simpatia de hospícios), só que é muito extenso e tem muito palavrão, acho que o particular da Google ia requisitar gentilmente para que eu colocasse que o blog é imprópio para menores... da parte 1, não tenho uma preferência disparada. Enfim, leiam. Se realmente gostaram dos contos do velho safado que eu postei aqui, comprem os livros.
Se você jamais leu nada de Bukowski, eu recomendo que comecem por "mesclado Quente", que foi lançado pela mesma editora. deste modo você entenderá melhor a doutrina do literato quando for ler as outras obras. Bem, é isso... ____________________________________________ Banda: Metallica Música: ...And Justice for All Álbum: ...And Justice for All Halls of justice painted green Money talking Power wolves beset your door Hear them stalking Soon you´ll please their appetite They devour Hammer of justice crushes you Overpower The ultimate in vanity Exploiting their supremacy I can´t believe the things you say I can´t believe I can´t believe the price you pay Nothing can save you Justice is lost Justice is raped Justice is gone Pulling your strings Justice is done Seeking no truth Winning is all Find it so grim So true So verdadeiro Apathy their stepping stone So unfeeling Hidden deep animosity So deceiving Through your eyes their light burns Hoping to find Inquisition sinking you With prying minds The ultimate in vanity Exploiting their supremacy I can´t believe the things you say I can´t believe I can´t believe the price you pay Nothing can save you Justice is lost Justice is raped Justice is gone Pulling your strings Justice is done Seeking no truth Winning is all Find it so grim So true So verdadeiro Lady Justice has been raped Truth assassin Rolls of red tape seal your lips Now you´re done in Their money tips her scales again Make your deal Just what is truth? I cannot tell Cannot feel The ultimate in vanity Exploiting their supremacy I can´t believe the things you say I can´t believe I can´t believe the price we pay Nothing can save us Justice is lost Justice is raped Justice is gone Pulling your strings Justice is done Seeking no truth Winning is all Find it so grim So true So verdadeiro Seeking no truth Winning is all Find it so grim So true So real
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